13 de maio de 2009

5. Brewing Sessions Hefe-weizen

Continuando na onda das weizen, cá está a minha mais recente produção, a Brewing Sessions Hefe-weizen.
A receita que criei é bastante simples, com metade da quantidade total de grão a ficar a cargo do malte de trigo. Quanto ao resto, malte pilsen e munich.
A lupulagem foi bastante reduzida como é característico do estilo e ficou a cargo dos lúpulos Perle e Hersbrucker. Cá está a receita:
. 3,4 Kg de Malte de Trigo
. 1,6 Kg Malte Pilsen
. 0,15 Kg de Malte Munich
. 14 g Perle (60 min.)
. 14 g Hersbrucker (30 min.)
. Fermentis SAFBREW WB-06
Brassagem longa com 2 etapas distintas, sendo a primeira uma paragem de 30 minutos a 55ºC e a segunda uma paragem de 45 minutos aos 67ºC. Depois disto subi para a temperatura de mash-out (77ºC).
Fervura de 90 minutos, arrefecimento a 20ºC, oxigenação e posterior inoculação da levedura.
A fermentar a 20ºC.
Preparei um starter antes 48h com a receita do costume. Passado umas 6 ou 7 horas começou a borbulhar.
Na próxima segunda-feira vou transferi-la para o fermentador de guarda onde irá ficar as tradicionais 2 semanas, após as quais será engarrafada com 7g/L de açúcar para a carbonatação.
De seguida a reportagem fotográfica.


6 de maio de 2009

iBeer

Para quem não pode passar sem a bela cervejinha, eis a minha sugestão:

30 de abril de 2009

Guia de iniciação à produção de cerveja artesanal (1ª parte)

O principal objectivo deste blog é divulgar e incentivar o desenvolvimento da produção artesanal de cerveja, especialmente em Portugal, onde este fenómeno ainda está a dar os primeiros passos de uma caminhada, que espero que seja longa e de sucesso.
Muitos dos que por aqui passam são apreciadores de boa cerveja e curiosos em relação à produção artesanal que buscam mais informação sobre o assunto. O seu pensamento era o mesmo que eu tinha antes de me iniciar como cervejeiro, "tudo bem, até pode ser possível fazer cerveja em casa, mas deve ser um processo complicado e que envolve um grande investimento" o que os leva rapidamente a desistir ou a colocar de lado esta ideia.
Os meus próximos posts são dedicados a estas pessoas, aos que precisam apenas de um pequeno empurrão para se aventurarem no mundo do homebrewing. O objectivo deste e dos próximos posts será criar um guia, um manual onde abordarei tudo o que é necessário para começar a produzir cerveja artesanal, tanto a nível de conhecimentos teóricos, ingredientes, equipamentos, locais onde os adquirir e outros mais assuntos que entenda serem importantes para quem se quer tornar cervejeiro e surpreender os amigos com boas cervejas produzidas em casa.

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Para começar acho importante esclarecer algumas das dúvidas que assaltam os aspirantes a homebrewer, por isso cá vai.

.As cervejas caseiras têm a mesma qualidade que as cervejas industriais?
R.: Sim, as cervejas artesanais conseguem atingir patamares de qualidade iguais ou até superiores às ditas cervejas industriais. É claro que tudo vem com muitos conhecimentos, e acima de tudo com muita experiência. Outra das grandes vantagens de produzir cerveja artesanal é o facto de podermos criar cervejas de estilos que não conseguimos encontrar nos supermercados e nas lojas da especialidade. No meu caso em concreto nunca tinha provado uma Russian Imperial Stout, até ao dia em que produzi uma.

.Preciso de muito espaço para poder produzir cerveja em casa?
R.: Sim e não. É possível produzir cerveja em espaços reduzidos. Eu produzo cerveja num apartamento e o único espaço que preciso é da cozinha durante um dia inteiro e de um pequeno espaço para poder colocar o fermentador durante 3 a 4 semanas.
É claro que o ideal será ter um espaço exclusivo para a produção, como por exemplo uma cave, uma garagem ou um armazém, mas caso não o tenhamos, continua a ser possível produzir cerveja caseira.

.É necessário um grande investimento monetário?
R.: Não. Para começar a produzir não é necessário investir muito dinheiro. Há 3 formas diferentes de produzir cerveja artesanal, através de kits, extracto ou a partir de grão. Se começarmos pelo mais simples, os kits e extracto, não necessitamos de um grande investimento. Já para produzir a partir de grão é necessário investir algum dinheiro em equipamentos que são indispensáveis neste processo, mas não estamos a falar de valores exorbitantes. Mas deixamos este pormenor do investimento para desenvolver um pouco mais à frente.

.Onde posso comprar os equipamentos e ingredientes que necessito para me iniciar na produção artesanal?
R.: Em Portugal existem 2 lojas que vendem todo o equipamento e ingredientes necessários. Uma fica em Lisboa (Loja da Cerveja Caseira) e outra na zona de Coimbra (Loja Cerveja Artesanal). Para os que são de longe ambas as lojas fazem o envio pelo correio e por isso, em qualquer região do país terão sempre acesso a tudo o que necessitam. Escusado será dizer que ambas as lojas são de confiança e pertença de pessoas que produzem cerveja, e que concerteza os poderão ajudar em qualquer dúvida que tenham.

.São necessários muitos conhecimentos teóricos para me tornar num cervejeiro artesanal?
R.: Para começar a produzir não são necessários grandes conhecimentos, embora seja importante ter a ideia do processo e perceber qual é o objectivo de cada uma das suas etapas. É claro que o conhecimento não ocupa espaço, e quanto mais estudarmos melhor entendemos o processo de produção, e assim podemos aperfeiçoar as nossas cervejas e assim produzir cada vez mais e melhores.

.E por onde devo começar?
R.: Como já disse, existem 3 formas diferentes de produzir cerveja caseira. Os kits são a forma mais fácil de começar. Para além de exigir um investimento reduzido, é um processo bastante simples de executar e para o qual não preciso de ter grandes conhecimentos. O extracto é o passo seguinte, pois já envolve a utilização de lúpulo e algum grão. Por fim chega a produção a partir do grão, que é onde o cervejeiro produz uma cerveja desde o princípio, utilizando todos os ingredientes e passando por todas as etapas tal como se uma cerveja industrial se tratasse.
Quem vos escreve este texto não será o exemplo correcto a seguir, já que comecei logo a produzir a partir de grão. Apenas o fiz porque achei que tinha capacidade e conhecimentos suficientes para o fazer. Tive a oportunidade de trabalhar numa fábrica de cervejas e por isso já conhecia o processo do ponto de vista industrial, o que me ajudou muito a adaptar-me à produção em escala reduzida e com equipamentos menos avançados. Li bastantes livros e muita informação que procurei na internet. Também vi muitos vídeos no YouTube e por isso achei que estaria à altura desse desafio e por isso optei por me iniciar logo com o grão.
A forma mais simples e mais lógica de começar é, sem dúvida, através dos kits. Podemos dizer que 90% (ou mais) dos cervejeiros artesanais se iniciaram na produção utilizando um kit, mas a escolha é vossa.

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Depois de esclarecidas algumas dúvidas daremos então inicio ao nosso guia de iniciação à produção de cerveja artesanal.
Até breve!

28 de abril de 2009

Cervejaria Praxis

Abriu no passado dia 24 de Abril a primeira microcervejaria portuguesa (pelo menos que é do meu conhecimento).
Trata-se da Praxis, uma cervejaria com produção própria de cervejas e que se situa na Urbanização Quinta da Várzea - Santa Clara, em Coimbra.
É um espaço moderno onde se podem encontrar 4 cervejas bem diferentes: Pilsener, Weiss, Âmbar e Dunkel, o que vem refrescar o panorama cervejeiro nacional, onde as aguadas macro lagers imperam.
Ao que se sabe a abertura deste estabelecimento não foi fácil, mas saúda-se a vontade e persistência dos seus donos que no final acabaram por vencer a batalha, e fizeram regressar a produção de cerveja à cidade de Coimbra.

25 de abril de 2009

I am a craft brewer (Eu sou um cervejeiro artesanal)

I am a craft brewer, sim, eu também sou um cervejeiro artesanal! Fantástico!!



Legendado em português por Tiago Falcone - Falke Bier (Brasil). Activar legenda no botão que se encontra no canto inferior direito da janela do vídeo.

24 de abril de 2009

4. Brewing Sessions Dunkelweizen (3º post)

Cá está a primeira foto da Brewing Sessions Dunkelweizen. Tal como esperava, uma bela cerveja!
De côr castanha alaranjada, forma uma espuma branca abundante, bem característica do estilo em questão.
O aroma é doce, sobrepondo-se o cravo à banana e também alguns aromas torrados resultado dos maltes escuros usados na sua produção.
Na boca torna-se uma cerveja bastante equilibrada, de sabor doce, subtilmente amargo, com notas de malte, caramelo e alguns frutos secos. A carbonatação está bastante boa, com tendência a melhorar com mais alguns dias de garrafa. Uma cerveja bastante leve e agradável, com uma boa drinkability.
Penso que ficou uma cerveja bastante boa e por isso recomendo esta receita a qualquer pessoa que a pretenda reproduzir. Espero voltar a repeti-la mais vezes!

11 de abril de 2009

Vídeos 4

Visita a uma fábrica de cerveja alemã de 1930. Espero que gostem!

6 de abril de 2009

4. Brewing Sessions Dunkelweizen (2º post)

Após duas semanas de fermentação e maturação, hoje foi dia de engarrafar a Brewing Sessions Dunkelweizen.
A receita é simples, 6g de açúcar branco por cada litro de cerveja (20L), o que dá um total de 120g de açúcar adicionados à cerveja.
20 L de cerveja engarrafados em 30 garrafas de 0.5L e mais 14 de 0.33L. Duas semanas e está pronta a consumir.
Da análise sensorial que fiz, não denotei qualquer off-flavour resultado de contaminações ou outra qualquer "doença" que pudesse estar a importunar a saudável evolução deste néctar dos Deuses Bávaros!
No geral fiquei bastante impressionado com o que provei, e por isso estou com expectativas elevadas em relação a esta cerveja.
Relativamente à FG, ficou-se, como esperado, pelos 1.014, o que resulta numa cerveja com 5.4% Abv.
Segundo as guidelines BJCP, uma Bavarian Dunkelweizen como manda a lei.
Dentro de 15 dias, a prova dos 9!
De seguida a primeira foto à cerveja quase pronta.


24 de março de 2009

Videos 3

Mais um excelente vídeo da autoria do Leonardo Botto, um dos mais conhecidos cervejeiros caseiros do Brasil, e que demonstra o processo de produção de cerveja artesanal, bem como todo o equipamento necessário.
O que pretendo com estes vídeos é demonstrar que não é necessário um grande investimento para se poder produzir cerveja em casa. É um processo simples e que requer apenas um pequeno investimento numa panela de grandes dimensões (pelo menos uns 25L), e de resto a maior parte do equipamento pode ser improvisado.
Outra das desculpas para não se avançar para a produção caseira é a falta de espaço. Eu faço cerveja num apartamento, e para isso apenas necessito da cozinha interdita durante 8 horas, e fermento as minhas cervejas no chuveiro de uma das casas de banho, como poderia fazê-lo num outro compartimento da casa, precisando apenas de um local com temperatura amena mais ou menos constante, e espaço para colocar um fermentador de 30L que é relativamente pequeno. Portanto eu sou o exemplo de que é possível fazer cerveja em casa sem ser necessário muito espaço para tal.
Por isso força com essas produções e vamos criar em Portugal um movimento a nível de produção artesanal como o que já existe no Brasil, assim como em outros países do mundo!


23 de março de 2009

4. Brewing Sessions Dunkelweizen

Após uma longa ausência, cá estou eu de volta às minhas produções. Enquanto escrevo este texto tenho uma Dunkelweizen a ferver na cozinha.
E porquê uma Dunkelweizen perguntam vocês?
Em primeiro lugar porque é uma das minhas cervejas de eleição, especialmente no Verão. Tenho uma predilecção inexplicável por cervejas mais escuras, com aromas torrados, caramelo, malte, bem características de cervejas deste género. E dentro das weizen, o meu gosto não foge à regra.
E em segundo lugar porque se aproxima o II Concurso Nacional de Cervejas Caseiras e Artesanais, e ao que sei o estilo que estará em destaque será o 15 - BJCP, ou seja, as German Wheat and Rye Beer, e por isso pretendo participar com esta cerveja.
Após muita pesquisa lá desenhei a receita, na qual inclui malte de trigo pois está claro, malte pilsen na mesma proporção, em menor quantidade malte Munchen para o corpo, algum crystal, chocolate para a côr e special B para um toque... special!
Quanto a lúpulos, dentro das possibilidades que tinha, os tradicionais do estilo Hallertau Perle para o amargo e Hallertau Hersbrucker para o aroma.
Relativamente à levedura, SAFBREW WB-06 da Fermentis.
Posso então dizer que esta Dunkelweizen foi elaborada segundo a Lei da Pureza alemã, a Reinheitsgebot, a qual apenas permite a elaboração de cerveja utilizando como ingredientes água, malte, lúpulo e levedura. Quem quiser saber mais acerca desta lei, podem aceder ao seguinte link.
Eis então a receita da Brewing Sessions Dunkelweizen:

- 2.18 Kg Malte de Trigo
- 2.18 Kg Malte Pilsen
- 0.87 Kg Malte Munich
- 0.22 Kg Malte Crystal
- 0.11 Kg Malte Chocolate
- 0.11 Kg Malte Special B
- 15 g Hallertau Perle (60 min.)
- 15 g Hallertau Hersbrucker (30 min.)
Levedura SAFBREW WB-06 da Fermentis

Quanto à brassagem, aqueci 14L da água a 68ºC e adicionei o malte moído para obter uma temperatura de 62ºC, que mantive durante 30 minutos. Posteriormente elevei a temperatura para os 68ºC que durante 30 minutos.
Após este tempo verifiquei com a ajuda de tintura de iodo se a sacarificação estava completa o que se verificou ser afirmativo. Elevei então a temperatura para os 75ºC e mantive durante 10 minutos. Desliguei o fogão e transferi o mosto para a cuba filtrante.
Coloquei então mais 15L de água a aquecer até à temperatura de 75ºC para fazer a lavagem do grão.
Fiz a recolha do mosto filtrado acumulando na panela um total de 25 L.
Neste momento já leva 60 minutos de fervura. Aos 30 minutos adicionei o lúpulo de amargo e neste momento vou adicionar o lúpulo de aroma. O mosto ferverá um total de 90 minutos.

Actualização:

Pois é, a fervura terminou, arrefeci o mosto com a ajuda do meu mais recente sistema de refrigeração. Este consiste numa pequena serpentina em inox que serve de pré-chiller e uma serpentina de maior dimensão em cobre. A serpentina de inox está mergulhada em água com gelo e a serpentina de cobre encontra-se dentro da panela. Uma mangueira ligada a uma torneira conduz água fria por dentro da serpentina de inox, o que faz com que a água fique ainda mais fria. Por sua vez, esta água fria irá entrar dentro da serpentina em inox e aí ocorrerá transferência de calor entre a água da serpentina e o mosto, o que promove o seu arrefecimento.
Depois de arrefecido o mosto, procedi ao seu aeramento (não sei se esta palavra existe), ou seja, introduzi oxigénio com a ajuda de uma bomba de aquário e uma pedra difusora.
Resta agora inocular a levedura et voilá, está pronta para fermentar.
A fermentação vai-se realizar a uma temperatura entre os 19 e os 20ºC, durante uma semana. Como é uma cerveja de trigo, provavelmente da fermentação irá resultar uma enorme formação de espuma, e por isso, em vez de um borbulhador, vou utilizar o chamado blow-off, que consiste numa mangueira colocada no lugar do borbulhador, e a outra ponta mergulhada num recipiente com água. Assim se houver uma grande formação de espuma esta irá sair pela mangueira e assim evito uma grande sujeira.
Medi a densidade e obtive uma OG de 1.055. Está dentro dos meus cálculos já que previra uma OG de 1.054. Espero ter uma FG de aproximadamente 1.011 ou até 1.010, mas vamos ver no que vai dar.
Obtive um mosto escuro, bem típico de uma Dunkelweizen. Está bastante turvo, que penso que se deve ao uso de malte de trigo, e talvez a algum excesso de moagem, o que provocou a formação de alguma farinha. No entanto ainda vai ter muito tempo para clarificar e depois veremos a cor final.
Estou com grandes expectativas em relação a esta cerveja.